[1º] O que é ciência* (por Gabriel Fragnan)

O que é ciência?

Todo mundo fala em ciências.
Os professores, os noticiários e até os personagens dos desenhos animados.
Às vezes, ao começarmos a estudar alguma disciplina na escola, aprendemos suas diversas matérias e nos esquecemos de perguntar o básico, o que tudo aquilo significa.

Seria legal se a primeira explicação na primeira aula de matemática não fosse sobre números, aritmética ou conjuntos, mas uma conversinha rápida sobre o que é matemática e porque a estudamos.
Para a ciência vale a mesma idéia.
Afinal todos sabem que é devido a ela que conseguimos colocar homens no espaço, projetar os computadores que mantêm a Internet funcionando ou criar as vacinas que salvam milhões de vidas.
A ciência parece então uma coisa enorme, distante, feita por homens de óculos grossos com muitos e muitos anos de estudo, que trancados em seus laboratórios cheios de equipamentos e vidrarias, desenham fórmulas matemáticas enormes em grandes e empoeirados quadros negros.
Mas a ciência é muito mais que isto e, mesmo assim, é algo muito mais simples.
A ciência nasce de nossa vontade natural de entender aquilo que achamos que é interessante, seja por nos afetar de alguma forma, seja por nos agradar de algum modo.
As coisas e fatos que motivam nosso interesse também despertam nossa curiosidade e atraem nossa observação.
A ciência nasce desta ação simples, a observação curiosa de algo em que temos interesse. Para isto não precisamos necessariamente dos grandes laboratórios ou das fórmulas matemáticas.
Quando observamos algo que nos interessa queremos entender, saber mais, encontrar explicações para o que observamos.
A ciência é isto.
Explicações testadas sobre as coisas e fatos que nos interessam, obtidas a partir da observação e do estudo destas coisas e fatos.
Note que falamos em explicações testadas. Para que uma explicação seja aceita como científica, não basta que ela seja obtida da observação e do estudo daquilo que se propõe a explicar.
É indispensável que estas explicações sejam testadas, ou seja, submetidas a algum tipo de experimentação que confirme de modo prático que aquela explicação é correta, ou, pelo menos, coerente.
O melhor da ciência é que ela sempre deixa a porta aberta para que possamos aprender mais. Assim, nenhuma explicação científica é considerada infalível ou destinada a durar para sempre. 

Quando surgiu a ciência e por que!

Por que razão nasceu a ciência na Europa? Na época de Galileu e Newton a China era muito mais avançada tecnologicamente. Contudo, a tecnologia chinesa (como a dos aborígenes australianos) foi alcançada por tentativa e erro, refinados ao longo de muitas gerações. O boomerang não foi inventado partindo da compreensão dos princípios da hidrodinâmica para depois conceber um instrumento. A bússola (descoberta pelos chineses) não envolveu a formulação dos princípios do magnetismo. Estes princípios emergiram da (verdadeira, segundo a minha definição) cultura científica da Europa. Claro que, historicamente, surgiu também alguma ciência de descobertas acidentais que só mais tarde foram compreendidas. Mas os exemplos mais óbvios da verdadeira ciência — tais como as ondas de rádio, a energia nuclear, o computador, a engenharia genética — emergiram, todos eles, da aplicação de uma compreensão teórica profunda que já existia — muitas vezes há muito tempo — antes da tecnologia que se procurava.

As razões que determinaram que tenha sido a Europa a dar à luz a ciência são complexas, mas têm certamente muito a ver com a filosofia grega e a sua noção de que os seres humanos podiam alcançar uma compreensão do modo como o mundo funciona por intermédio do pensamento racional, e com as três religiões monoteístas — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo — e a sua noção de uma ordem na natureza, ordem essa que era real, legiforme, criada e imposta por um Grande Arquitecto.

Apesar de a ciência ter começado na Europa, é universal e está agora à disposição de todas as culturas. Podemos continuar a dar valor aos sistemas de crenças das outras culturas, ao mesmo tempo em que reconhecemos que o conhecimento científico é algo de especial que transcende a cultura.

 

*Primeira parte por Carlos R. de Lana (http://educacao.uol.com.br/ciencias/ult1686u46.jhtm) e segunda parte por Paul Davies (http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/davies.htm). Nota reduzida.

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